A Suécia é um país socialista?

Antes de responder essa pergunta é importante entender como é o sistema de governo sueco. A Suécia é uma monarquia constitucional parlamentarista, ou seja, o chefe de Estado é o Rei, mas suas funções são apenas oficiais e cerimoniais.

Quem governa de fato o país é o primeiro-ministro, ele por sua vez, responde politicamente ao parlamento. Stefan Löfven, do Partido Social-Democrata, é o atual primeiro-ministro e está governando desde outubro de 2014 e o seu governo é uma coligação do Partido Social-Democrata com o Partido Verde.

O parlamento da Suécia possui 349 membros, que são eleitos por representação proporcional e o mandato é de quatro anos. São os parlamentares que criam as leis, as emendas constitucionais e nomeiam o primeiro-ministro, como é comum em democracias parlamentares.

Foto: Bia Oliver (Parlamento Sueco)

Atualmente existem oito partidos com representação parlamentar, são eles com suas respectivas ideologias:

  • Sveriges Socialdemokratiska Arbetarparti (Partido Social-Democrata) – socialismo democrático;
  • Moderata Samlingspartiet (Partido Moderado) – conservadorismo;
  • Folkpartiet Liberalerna (Partido Popular Liberal) – liberalismo social;
  • Kristdemokraterna (Partido Democrata Cristão) – democracia cristã;
  • Vänsterpartiet (Partido da Esquerda) – socialismo democrático e ecossocialismo;
  • Centerpartiet (Partido do Centro) – centrismo e agrarianismo;
  • Miljöpartiet de Gröna (Partido Verde) – ecologismo;
  • Sverigedemokraterna (Democratas Suecos) – conservadorismo e nacionalismo.

O modelo de governo sueco

Há quem diga que a Suécia é um país socialista, há quem diga que a Suécia é um país capitalista e há quem diga que a Suécia possui um modelo de governo misto. O fato é que a Suécia, como qualquer outro país escandinávo, é capitalista, mas suas políticas públicas são bastante próximas do modelo socialista.

Pode parecer um pouco complexa essa ideia, mas publicações econômicas como o The Nordic Model – Embracing globalization and sharing risks, publicado pelo Research Institute of Finnish Economy de Helsinque, listaram algumas características desse modelo utilizado em toda a Escandinávia:

  • O sistema é financiado por impostos e garante segurança social, educação pública e assistência universal à saúde.
  • A carga tributária está entre uma das mais altas do mundo, a da Suécia se aproxima dos 43%.
  • Proteção dos direitos dos trabalhadores.
  • Alta porcentagem de trabalhadores vinculados a algum sindicato.
  • Parceria entre sindicatos, empregadores e governo com o objetivo de negociar os termos de regulamentação do local de trabalho, em vez dos termos impostos por lei.
  • Fortes direitos de propriedade, cumprimento de contratos e facilidade geral de fazer negócios.
  • O livre comércio combinado com o compartilhamento coletivo de riscos (programas sociais, instituições do mercado de trabalho), que têm fornecido uma forma de proteção contra os riscos associados à abertura econômica.
  • Os gastos públicos em transferências sociais, como benefícios de desemprego e programas de aposentadoria antecipada, são altos.

O trabalhador e o mercado de trabalho

Não só a Suécia, mas todos os países nórdicos buscam reduzir o conflito entre o trabalhador e os interesses do mercado por meio de políticas ativas do mercado de trabalho como parte de um modelo econômico corporativista.

Aqui na Suécia o sistema corporativista é mais amplo e as federações de empregadores e representantes trabalhistas podem negociar e fazer acordos com a mediação do governo. Além disso, a intervenção do Estado no mercado de trabalho tem o objetivo de proporcionar reciclagem e realocação no trabalho para a população.

Pode-se dizer que o mercado de trabalho é bastante flexível, as leis facilitam os processos de contratação de demissão de trabalhadores e a introdução de novas tecnologias de economia de trabalho. Mas o que é importante ressaltar, é que apesar de facilitar a vida dos grandes empresários e empregadores, o governo intervém no mercado de trabalho para proteger o direito dos trabalhadores e garantir o bem-estar social.

O que podemos dizer sobre o bem-estar social

As políticas de bem-estar social da Escandinávia se diferenciam dos modelos dos outros países por maximizar a participação da força de trabalho, incentivar e promover a igualdade de gênero, oferecer benefícios e redistribuição de renda.

Apesar de haver algumas diferenças entre os países nórdicos, todos possuem o compromisso de garantir o bem-estar social buscando a igualdade social e ao mesmo tempo protegendo o indivíduo e grupos vulneráveis na sociedade, além de incentivar a participação pública nas tomadas de decisão. E sim, todos os sistemas de bem-estar social são financiados principalmente por altos impostos.

E qual a conclusão disso tudo?

Bom, a Suécia não é um país socialista, mas é governada por um partido de esquerda. De acordo com o sociólogo Lane Kenworthy, o modelo de social-democracia possui uma ideologia que carrega um conjunto de políticas que garantem a segurança enconômica, mas também proporciona oportunidades dentro da estrutura do capitalismo, em vez de substituir o capitalismo. Ou seja, enquanto países como os Estados Unidos incentivam o “capitalismo cruel”e apresenta uma alta desigualdade social, os países escandinávos almejam por um capitalismo mais “fofo” que faz bem para todo mundo.

Mas não pense que por aqui é tudo lindo, maravilhoso e perfeito. Apesar de ser um lugar que realmente oferece oportunidade para todo mundo, inclusive imigrantes, há sim pessoas pobres, algumas em situação de rua. Existe pobreza em todo lugar do mundo, a principal diferença que eu noto aqui é que existem projetos sendo criados e colocados em prática para que essa situação se reverta. Mas vou contar um pouco sobre isso em um próximo post, tá bom?

Gostou de conhecer um pouco mais sobre a Suécia?

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